
O ser humano possui uma tendência natural a fazer comparações. É através dela que podemos concluir o que é bonito ou feio, melhor ou pior, etc. Com a gestão nas instituições não é diferente. Embora a atual gestão da PGJ seja uma realidade recente já temos o que comparar com a anterior. O PGJ Manoel Onofre nos fez visita em 17/07/09, da mesma forma que José Augusto, quando assumiu a PGJ há dois anos. Onofre disse que continuaria a nos visitar a cada três ou quatro meses; José Augusto também. Este último, só lembro-me dele em Mossoró umas duas ou três vezes em sua gestão, mas, prefiro dar a Onofre o benefício da dúvida. Da mesma forma que na reunião de dois anos atrás a segregação funcional também aconteceu; colocaram servidores e promotores em salas distintas. A diferença é que este ano deram uma barra de cereal e um pirulito a cada uma das crianças presentes para que nenhuma fizesse cara feia. E foi o novo PGJ para uma sala reservada com os outros membros a fim de, talvez, discutir os pleitos daqueles. Mas, será que nós servidores também não tínhamos algum pleito? É claro que tínhamos, mas servidor não pode votar no PGJ. Então, como há dois anos, ficamos em outra sala com o Secretário-Geral, que fez tudo para acreditarmos que ele queria que os pleitos dos servidores fossem atendidos; mormente no que diz respeito às 30 horas semanais. Ora, o Secretário-Geral não seria em nada beneficiado com essas 30 horas; ele tem um cargo comissionado pra trabalhar em período integral e mesmo que posteriormente o perdesse, ele ocuparia outro cargo em comissão, pois ele nem ao menos é servidor das carreiras do MP/RN. Falou também que a tão sonhada equiparação dos níveis que o TJ/RN fez estava sendo contestada na justiça e que talvez a mesma não vingasse. Ora, esse caso pode até estar sendo contestado legalmente, mas, o fato é que não há nada de ilegal nisso e nada vai fazer a situação voltar ao status quo ante. O que o TJ/RN fez, na verdade, foi apenas reenquadrar o cargo de auxiliar técnico. Em suma, o TJ/RN apenas disse que nos próximos concursos o candidato ao cargo de auxiliar técnico (antigo nível médio), agora precisaria ter nível superior. O que há de ilegal nisso? Isso já foi feito anteriormente com o cargo de oficial de Justiça, que antigamente exigia apenas nível fundamental para o ingresso do candidato, depois passaram a exigir nível médio e hoje o camarada só entra se for bacharel em direito. É também o caso dos policiais civis do RN; antigamente, quem quisesse podia ser policial civil, hoje é cargo privativo de nível superior. Isso tem sido feito em vários órgãos públicos ultimamente e é reflexo claro do avanço do grau de instrução no Brasil. Não se pode continuar exigindo apenas nível fundamental ou médio para ocupar determinadas funções que hoje necessitam de uma gama maior de conhecimentos para serem executadas. Além do que, sabemos que na sociedade complexa em que vivemos hoje o nível fundamental não vale mais nada, o nível médio não tem mais tanta expressão e em cada esquina há uma faculdade pra se obter nível superior, que daqui a algum tempo também não vai valer lá muita coisa. Então Júlio César, essa aí não cola meu amigo.
Enfim, colocaram papa na boca de quem quis engolir e quem não engoliu acabou saindo da reunião com o mesmo sentimento de incredulidade com que São Tomé foi retratado por Caravaggio, quando precisou ver o Cristo vivo para crer na sua ressurreição. Dessa mesma forma, precisamos ver algo mais concreto pra poder acreditar que essa gestão vai ser diferente da anterior. Mas até esse dia amigos, eu tô com São Tomé e não abro.
Postado por Livio Victorius - Diretor da ASSEMP-RN



